Cirurgia da Tiróide

1. CANCRO DA TIRÓIDE

O cancro da tiróide é um tipo de cancro que responde muito bem ao tratamento na maior parte dos casos.

 

A. CANCRO DA TIRÓIDE BEM DIFERENCIADO

Os tipos de cancro diferenciado são:

1. Tumor folicular
2. Tumor papilar

O diagnóstico geralmente é feito com palpação de um nódulo ou por achado de um nódulo na ecografia. A seguir, deve ser feita uma biopsia para se fazer o diagnóstico. Contudo, em muitos casos, só se tem a certeza de se é um cancro ou não depois de retirada a tiróide e feito o exame anatomopatológico.

O primeiro passo no processo de tratamento para o cancro da tiróide bem diferenciado é a cirurgia para remoção da glândula tiróide. Isso é chamado uma tiroidectomia total. A cirurgia de tiróide é um procedimento muito delicado e, por isso, deve ser feito por cirurgiões experientes (a glândula tiróide está rodeada por muitos vasos sanguíneos e nervos que devem ser preservados).

Na maioria dos casos, a cirurgia de exérese total ou quase total da glândula é recomendada. Recomendamos esta atitude baseados na nossa experiência e na dos países mais avançados.
Depois da cirurgia, o paciente deve tomar levotiroxina (letter, eutirox, etc.) para repor os valores de tiroxina no sangue. Substitui uma das hormonas que era produzida pela sua glândula tiróide.

Exérese de remanescentes
Depois da operação, alguns pacientes podem precisar de uma segunda etapa para acabar de retirar algum resto da tiróide que possa ter ficado. Isto é feito no caso dos pacientes com tumor folicular, em que normalmente só é retirada metade da tiróide e depois de confirmada a malignidade, procede-se à remoção do resto da tiróide (hemitiroidectomia). Noutros casos pode ser necessário tomar uma dose de iodo radioactivo para acabar de destruir algum pequeno resto de tecido que possa ter ficado. Nestes casos, pode-se tomar antes uma dose de TSH para que o iodo seja absorvido mais rapidamente pelas células restantes da tiróide. É administrado em 2 injecções antes do procedimento de ablação da tiróide.

Consultas de seguimento
Existem três exames principais que podemos usar após o tratamento inicial para determinar se as células do cancro da tiróide permanecem no corpo: Teste de tireoglobulina (Tg), ecografia e Estudos de imagem (TAC e gamagrafias).

Até 30% dos pacientes apresentam uma reincidência ou recidiva. A maior parte ocorre no prazo de 10 anos após o tratamento inicial; outras ocorrem décadas mais tarde.
O prognóstico de reincidência é melhorado quando ela é detectada precocemente. Por isso, exames de rotina são importantes para o resto de sua vida, especialmente nos primeiros 5 – 10 anos após a cirurgia, quando o risco de retorno de seu cancro é maior.

 

B. CARCINOMA PAPILAR

O cancro papilar representa 60 a 70% de todos os cancros da tiróide. As mulheres apresentam cancro papilar duas a três vezes mais do que os homens. No entanto, como os nódulos são mais comuns nas mulheres, um nódulo num homem sempre levanta uma maior suspeita de cancro.

É mais comum nos indivíduos jovens, mas cresce e dissemina-se mais rapidamente nos indivíduos idosos.

Os indivíduos submetidos a radioterapia do pescoço, geralmente para tratar uma condição benigna na lactância ou na infância ou por um outro cancro na vida adulta, apresentam maior risco de desenvolver cancro papilar.

O tratamento do cancro papilar é cirúrgico, mas por vezes dissemina para os nódulos linfáticos vizinhos.

Quase sempre a cirurgia cura esses pequenos cancros.

Como o cancro papilar pode ser estimulado pela hormona estimulante da tiróide, são administradas doses suficientemente elevadas para suprimir a secreção desta hormona estimulante da tiróide e para ajudar na prevenção da recorrência.

O cancro papilar é quase sempre curado.

 

C. CARCINOMA FOLICULAR

O cancro folicular representa aproximadamente 15% de todos os cancros da tiróide e é mais comum entre os indivíduos idosos.

O cancro folicular também é mais comum em mulheres que em homens. No entanto, assim como no cancro papilar, um nódulo num homem apresenta maior probabilidade de ser canceroso.

Muito mais agressivo que o cancro papilar, o cancro folicular tende a propagar-se através da corrente sanguínea, disseminando células cancerosas a várias partes do corpo (metástases).

O tratamento do cancro folicular exige a remoção do máximo possível da tiróide e a subsequente destruição do tecido tiroidiano remanescente, incluindo as metástases, com iodo radioativo.

 

D. CARCINOMA DE CÉLULAS DE HÜRTHLE

Pode ser considerado um subtipo do cancro folicular e caracteriza-se pela presença de oncócitos ricos em mitocôndrias (células de Hürthle). A superfície de corte tem cor castanha. Microscopicamente, o diagnóstico do Carcinoma de Hürthle é feito através da identificação de invasão capsular ou vascular, semelhante ao carcinoma folicular. Raramente produz metástases à distância, embora é o que mais produz de todos os bem diferenciados (34% dos casos).

 

E. CANCRO MAL DIFERENCIADO DA TIRÓIDE

1. Carcinoma Anaplásico
O cancro anaplásico representa menos de 10% dos cancros de tiróide e ocorre mais frequentemente em mulheres idosas. Cresce muito rapidamente e, normalmente, produz um grande tumor no pescoço. Quase 80% dos pacientes com cancro anaplásico morrem no primeiro ano.

O tratamento é a exérese cirúrgica. O tratamento com iodo radioativo é inútil. Contudo, o tratamento com drogas antineoplásicas e radioterapia antes e depois da cirurgia tem produzido algumas curas.

2. Carcinoma Medular
No cancro medular, a tiróide produz quantidades excessivas de calcitonina, uma hormona produzida por células da tiróide chamadas Células parafoliculares C.

A causa desta neoplasia é uma mutação em que se altera o proto-oncogene RET no cromossoma 10. Também pode produzir outras hormonas, pelo que pode causar sintomas incomuns.

Tem tendência a disseminar (produzir metástases) através do sistema linfático até aos gânglios linfáticos e através do sangue até ao fígado, os pulmões e os ossos. Pode ocorrer juntamente com outros tipos de cancros endócrinos na chamada síndrome da neoplasia endócrina múltipla (MEN-2.A e MEN-2.B).

O tratamento exige a exérese total da tiróide.

A sobrevida aos dez anos pode ser superior a 60% em pacientes com neoplasia endócrina múltipla. Contudo, se o cancro medular ocorre isoladamente, a sobrevivência não é tão boa. As neoplasias endócrinas múltiplas podem ser hereditárias pelo que deve ser investigada toda a família. Mesmo que os familiares ainda não tenham cancro medular devem ser feitos testes para verificar se a calcitonina está alta ou se se eleva rapidamente depois de uma estimulação; se for o caso, a tiróide também deve ser retirada para antecipar-se a aparição do cancro.

O seguimento é efectuado com doseamentos de calcitonina e ecografias periódicas.

 

2. NÓDULOS DA TIRÓIDE

Em pessoas submetidas a uma ecografia, até 25% apresentam nódulos na tiróide. São mais frequentes no sexo feminino e raramente dão sintomas. Raramente são malignos. O risco de ser maligno aumenta se: 1 Antecedentes de cancro da tiróide, 2 Antecedentes de neoplasias endócrinas, 3. Antecedentes de irradiação cervical.

Podem ser hiperfuncionantes e produzem hipertiroidismo ou hipofuncionantes. Podem produzir compressão de estruturas adjacentes: disfagia (dificuldade em deglutir), dispneia (dificuldade em respirar) e alterações na voz.

Em caso de nódulo tiroideu, deve ser feita uma punção biopsia aspirativa com agulha fina.

1. Em caso de ser benigno, o resultado será: Bócio multinodular, foco de hipertiroidismo, quisto simples ou quisto colóide.

2. Se o resultado for de suspeita, estaremos perante um tumor folicular que pode ser maligno (carcinoma) ou benigno (adenoma), mas só teremos a certeza depois de tirada meia tiróide e analisado o nódulo.

3. Se o resultado for inconclusivo; deve ser repetida a biopsia.

4. Se o resultado for maligno: estamos perante um carcinoma papilar, folicular, de células de Hürthel, Medular ou Anaplásico.

 

3. HIPERTIROIDISMO

É uma condição clínica causada pelo excesso da hormona tiroidea circulante. Os sintomas do hipertireoidismo são hiperatividade, alteração de humor (irritabilidade), sudorese e intolerância ao calor, palpitações, fadiga, fraqueza, perda de peso e aumento do apetite (ganho de peso é raro), aumento da frequência das evacuações, alterações da menstruação (em geral, interrupção).

O médico ainda pode notar sinais, como: taquicardia, arritmias cardíacas, tremor fino, pele quente e húmida, alopécia (queda de cabelo), retracção palpebral, entre outros.

A Doença de Graves é a causa mais comum do hipertiroidismo associado ao bócio difuso (aumento da glândula tiróide), exoftalmia (“olhos salientes”) e alterações cutâneas.

Tem origem na produção de anticorpos que atacam a glândula, simulando o TSH (Hormona Estimulante da Tiróide).

Há também o bócio multinodular tóxico, que apresenta nódulos tiroideos (único ou múltiplos) que produzem hormonas independentemente do controlo do organismo (nódulos quentes). Mais frequente em idosos, pode ocorrer em todas as idades e em mulheres em idade reprodutiva.

 

Os tratamentos disponíveis para a Doença de Graves são:
1. Drogas antiroideas: Propiltiuracil e Metimazol, que actuam na glândula diminuindo a produção hormonal.
2. Terapia com Iodo radioativo: é administrada uma pequena dose de Iodo radioativo que provoca uma reacção da lesão celular tiroideana, levando à diminuição do hipertiroidismo.
3. Cirurgia: é um método extremamente eficiente de resolução do hipertiroidismo.

Nos bócios multinodulares tóxicos, costuma-se indicar o tratamento cirúrgico ou iodo radioativo.

Muitos pacientes abandonam o tratamento por dificuldade em tolerar o uso de tantos medicamentos e seus efeitos colaterais. Na Clínica Luso Espanhola, consideramos que a melhor opção de tratamento é a cirurgia. A condição ideal para se realizar o tratamento cirúrgico do hipertiroidismo é quando se obtém o controlo dos níveis hormonais com o uso de medicação antitiroidea e beta-bloqueadores.